Não é preciso ser um especialista para perceber como as crianças de hoje se comportam de forma bem diferente das crianças de gerações passadas. Os hábitos cada vez mais se assemelham com a de um adulto, consumindo roupas, equipamentos eletrônicos, maquiagens, e o que é pior, alimentos com baixo valor nutricional. Não é preciso ir longe para achar esses pequenos exemplos, que cada vez mais, deixam de brincar para apenas consumir. Em nossa família, com nosso filhos e sobrinhos é possível perceber como a meninada de hoje cada vez mais deseja ter, possuir e consumir coisas que até então, pertencia somente ao universo do adulto.
A resposta para o desejo desenfreado e o perfil consumista de muitas crianças pode estar no grande poder de influência das grandes mídias, via publicidades massivas e ostensivas voltadas para o público infanto-juvenil, e o novo comportamento dos pais, na sociedade pós-moderna e capitalista, que tenta compensar sua ausência, com mimos e presentes, e muitas vezes, não consegue dizer não aos filhos.
Essa preocupação tem sido apresentada em diversos debates e exibições do documentário “Criança, a alma do negócio”, de Estela Renner, promovido pelo Instituto Alana com diversas ONGs parceiras. Em Salvador, o debate contou com a presença da SaferNet, através do Psicólogo e Diretor de Prevenção,Rodrigo Nejm, e do Procon-BA, com a diretora de Assuntos Especiais, Laura Nogueira. O filme mostra como as crianças conhecem mais as marcas dos produtos industrializados e tecnológicos do que o nome de verduras, frutas e legumes. A preocupação excessiva com a beleza também tem rodado a cabecinha dos menores.
De acordo com a Professora Assistente da UNEB, Cristhiane Ferreguett, as bonecas atuais representam um padrão de beleza a ser seguido. “ As bonecas de hoje em dia, diferente do passado que a menina era a mãe da boneca, hoje, representam a projeção do que ela é ou quer ser. E cada vez mais, as bonecas usam roupas sensuais”, afirma. Um exemplo dado por ela, foi uma boneca lançada pela Estrela para concorrer com a Barbie. A boneca Moxie Girlz tem como slogan a seguinte frase: “Brincar de ser você mesmo é ótimo. Você nem percebe e a brincadeira já começou”.
Rodrigo provocou uma reflexão sobre a liberdade, afirmando que liberdade de expressão e de imprensa podem coexistir com os direitos da criança e do adolescente, ressaltando que cada direito traz consigo um dever a ser cumprido. Falou também que, hoje em dia, as mídias tem forte influencia na formação do sujeito, e que a TV e a Internet tem sido a nova babá eletrônica. Os pais, seguros que seus filhos sabem dominar as tecnologias, permitem que naveguem por horas na Internet sem um acompanhamento. “Nesse espaço, elas tem condições de acessar todo tipo de conteúdo. É como se elas estivessem sozinhas em uma praça pública com cerca de 2 bilhões de pessoas transitando”, afirma. Salienta que a mídia deve ser também um espaço de aprendizado e cidadania, e não apenas de consumo. “Outras marcas precisam ser deixadas na vida da criança além daquelas da publicidade”, finaliza.
Laura, também propôs uma reflexão: “Quais valores queremos que nossos filhos absorvam?" Também destacou que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente protegem a criança e o adolescente contra qualquer tipo de abuso, e os coloca como prioridade em toda situação. Como representante do Procon, afirmou que o órgão precisa ser mais atuante para combater os abusos da publicidade infantil e fazer pressão para que Projetos de Lei 5921/2001, que proíbe a publicidade para vendas de produtos infantil.
Confira o documnetário na íntegra e mais informações sobre o Projeto Criança e Consumo.
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