2,5 milhões de pessoas no mundo estão na condição de vítimas do tráfico de pessoas no mundo. 80% das vítimas são mulheres. Metade tem menos de 18 anos e 30% são crianças. Os dados fornecidos pelo Escritório das Nações Unidas para o Prevenção e Combate ao Crime no Brasil (UNODC) são estarrecedores e as condições que essas pessoas vivem também. Muitas são traficadas para exploração sexual, trabalho forçado e remoção de órgãos. Por isso, foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os casos de pessoas traficadas no Brasil. A Comissão, composta por sete senadores titulares e cinco suplentes, tem como presidente a Senadora Vanessa Grazziotion (PC do B), e Marina Brito (Psol-PA) como relatora. A CPI do Tráfico de Pessoas conta com o apoio técnico da Polícia Federal e da SaferNet Brasil.

Thiago Tavares, presidente da SaferNet apresentou em audiência pública no Senado mais de 700 páginas de falsas agências de modelos e casamento denunciadas anonimamente na Central Nacional de Denuncias de Crimes Cibernéticos e sugeriu que a comissão também investigasse a utilização indevida da Internet por essas quadrilhas organizadas.  Essas agências recrutam, através da Internet, modelos brasileiras para aliciamento tanto interno, quanto internacional com a finalidade de exploração sexual. Muitas utilizam o código “ficha-rosa” nos anúncios para atrair jovens que ao mesmo tempo que se disponibilizam para trabalhar em feiras, congressos e exposições, por exemplo, aceitam realizar programas sexuais. Muitas dessas jovens, desconhecendo o sentido da expressão, são atraídas pelo anúncio, sempre tentador, e podem se tornar vítimas de algum tipo de exploração. Algumas desaparecerem e outras nunca mais retornam ao país.

Com tecnologia da SaferNet, disponibilizada gratuitamente ao Senado Federal, a CPI criou um site para receber as denuncias relacionadas ao tráfico de pessoas pela internet. As denúncias podem ser feitas anonimamente no site da CPI, onde pode se obter mais informações sobre os trabalhos da comissão.